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tagarelices

Sobre moda sem gênero e porque você também precisa dela.

Esses dias no Instagram eu fiz alguns stories falando sobre a roupa do Billy Porter no Oscar, a compra de um tênis marsala e porque é importante a moda agênero (agênero, genderless, gender-bender, plurissex entre outras denominações) .
Eu fiquei impressionada com tantas DM’s que recebi, muitas mensagens de homens e mulheres concordando. Outras mensagens pessoas me disseram que nunca tinham pensado na moda sem gênero sem associar às bandeiras levantadas pelos movimentos LGBTQ+. O papo rendeu nas DM’s e eu achei legal trazer para onde o conteúdo não sumisse em 24h.

A moda sem gênero ganhou destaque em 2015 quando o estilista Alessandro Michele, em seu primeiro desfile oficial para a Gucci, trouxe um conceito andrógeno com peças que poderiam (e foram) usadas por homens e mulheres.
Com uma sociedade cada vez mais conectada, autônoma e “sem regras”, a moda genderless faz muito sentido. Muitas marcas, até as fast-fashion Zara e C&A, quiseram “surfar na onda” e tentaram lançar coleções agêneras…mas falharam na compreensão do conceito e trouxeram coleções totalmente sem graça de moletons cinza e jeans.

“Mas por que esse papo de moda agênera agora? No meu tempo homem se vestia de homem e mulher de mulher.”

Aí que está, o que é roupa de homem e roupa de mulher?
Se o salto alto era acessório exclusivamente masculino até o século 18 e cor de rosa era uma cor masculina até 90 anos atrás, não faz sentido se apegar ao conceito de “roupas masculina/feminina” por muito tempo, a moda é, e sempre foi, fluida. Você já pesquisou “Jackie Chan 90s outfits” no Google?

eu usando uma calca do modelo boyfriend e uma camiseta masculina branca com o Will Smith na série Um Maluco no Pedaço
de camiseta masculina e calça boyfriend, que é só uma calça feminina reta com o gancho maior e mais confortável, mas daí o nome tem que explicar que é como se fosse do boy porque mulher só usa calça justa, né?

“Tá, mas qual o problema em falar que uma roupa é masculina e outra é feminina?”

O problema não é “falar”, o problema é que no momento da criação de roupas/calçados pensando em um gênero específico, as marcas se baseiam em conceitos pré-estabelecidos. Para exemplificar:
– calças jeans femininas tem bolsos super pequenos, mal cabem cartões, porque entende-se que mulheres usam bolsas e não precisam de bolsos nas roupas (sem contar que muitas calças tem bolsos falsos).
– a grade de sapatos femininos variam entre 35 e 38 (raramente 39), como se mulheres não tivessem pés maiores que 39 e homens não tivessem pés menores que 38.
– não se acha carteiras femininas pequenas e práticas e nem carteiras masculinas grandes.
– moletons femininos são de tecidos mais finos que masculinos (mesmo sabendo que, por questões hormonais, as mulheres sejam mais “friorentas”).
– as “corta vento” femininas não cobrem o bumbum.
– todo perfume feminino tem alguma nota doce ou floral.
Nem vou entrar no quesito roupas de esportes, porque isso daria um post por si só, mas acho que já deu para entender que

não é sobre homem se vestir de mulher. É sobre me deixarem colocar meu celular no bolso da minha calça.

Às vezes parece que falar de moda agênera é fazer alguma militância, mas não corra para esse pensamento, essas coisas não estão relacionadas sempre.
Com certeza esse assunto cresceu junto com a discussão sobre feminismo e ideologia de gênero e eu não quero desvalidar a importância das militâncias, mas aqui estou falando de algo muito mais simples. Estou falando de quando eu quis comprar um New Balance Marsala e não era produzido no 37 porque alguém decidiu que não é modelo para mulher usar (anos depois lançaram o marsala em numeração feminina).

tênis nike branco
esse tênis é masculino, eu tive que comprar o infantil porque a Nike decidiu que meninos que usam 36 podem usar, mas mulheres que usam 37 não.

Lógico que existem alguns moldes de roupas que se adequam melhor à anatomia feminina e outros à anatomia masculina, não vou ignorar as diferenças anatômicas, mas as diferenças também existem dentro dos próprios gêneros (tem mulher com seios pequenos, outras sem cintura, homem com quadril mais largo…).

Então marcas, que tal vocês produzirem peças que tenham personalidade e conceito, ampliarem a grade de tamanhos e deixar que os consumidores definam se aquilo serve para ele ou não?

2 Comentários

  • Vitória Regia

    Inúmeros exemplos , for listar todos não vai caber né . Até quem gosta de se sentir e vestir de forma feminina às vezes se irrita. Por exemplo camisetas , por anos foi difícil achar camisetas para mulheres , sempre foram blusas justas ou sensuais. Sem contar que as estampas femininas são sempre “femininas” demais . As mais descoladas geralmente são das camisetas masculinas .
    E moletons masculinos são bem mais gostosos de vestir!!

  • Marco Antonio

    Excelente post. Me fez lembrar minha próprias dificuldades, quando era adolescente/jovem. Por sempre ter sido atleta, tinha as coxas grossas e bumbum mais forte, porém com cintura fina. Então, não achava jeans masculinos que me ficassem bem, pois todos os masculinos tinham cortes retos. Ou comprava jeans femininos, ou tinha que fazer ajustes com alguma costureira.

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