tagarelices

o primeiro post…

Durante a faculdade eu vivi anos incríveis ao mesmo tempo que era moldada para encaixar em padrões – profissionais e pessoais. Eu achava que ser “podada” era um processo natural do amadurecimento, afinal adultos precisam manter a compostura (tem expressão melhor para get your shit together?).
E não tem nada de errado em “manter a compostura” e mudar alguns comportamentos, faz parte do amadurecimento de verdade. O problema é confundir amadurecer com entrar em uma caixa, principalmente se essa caixa te sufoca.

“às vezes eu me sinto uma mola encolhida”

Toda Forma de Amor, Lulu Santos

Apesar de considerar justa toda forma de amor, eu estava me identificando muito mais com o trecho acima do que com o resto da música nos últimos anos. E com uma letra sobre amor e liberdade eu sabia que algo estava errado ao me apegar a esse trecho.

Eu me questionava se meu caminho estava tomando um rumo que não refletia exatamente os meus valores e sonhos, mas na verdade era mais básico que isso, eu não me expressava mais no que eu estava fazendo.

Eu não me expressava em minhas roupas porque trabalhava de uniforme com o cabelo preso…
Eu não lia mais livros porque no tempo que tinha só lia coisas técnicas para me manter atualizada no trabalho…
Eu não tinha tempo para ir ao cinema e nem brincar de tirar fotografias…
Eu, que sempre amei as aulas de redação, agora só escrevia relatórios e artigos científicos…
Somos o que fazemos repetidamente e eu repetidamente me podava para encaixar nas normas.

A minha mudança de carreira vale um post para si, mas aqui quero falar que a mudança de foco profissional me fez mudar o foco em quase tudo o que eu estava vivendo.

O Pedro sempre me instigando a aprender mais e me presenteando com livros, reacendeu meu gosto pela leitura. Depois eu quis aprender e me expressar fisicamente, encontrei o ballet. E ultimamente a ideia de um blog, onde eu pudesse compartilhar o que eu quisesse, não saía da minha cabeça.

Ao mesmo que eu via o blog como um espaço sem pressão e amarras – ao contrário das mídias sociais que temos do chefe até a avó seguindo – o estigma de dizer “tenho um blog” e as pessoas taxarem você imediatamente como fútil/egocêntrica pesava muito. Trabalhei com blogueiras de diferentes nichos que tinham empresas e muito mais conteúdo do que #lookdodia e ainda assim eu via o quanto elas eram estigmatizadas pela sociedade.

E quando, volta e meia, alguém falava “nossa, você deveria ter um blog”, eu respondia “tenho vontade, quem sabe um dia…”.

Na primeira semana de 2019 eu recebi o diagnóstico de câncer do meu avô e 25 dias depois ele se foi . Perder alguém que tanto amamos mexe com a gente. Buscamos espelhar o que mais amávamos na pessoa, quase como uma forma de honrar o que aprendemos com ela.
E sabe o que meu avô falava quando alguém dava opinião sobre algo que ele fazia?

“Estou tão preocupado com sua opinião que vou dormir no tanque hoje”

Exatamente, não faz sentido algum.
Ele se importava tão pouco com a opinião dos outros que até para dizer que não se importava, ele não fazia questão de ter sentido!

Então aqui estou eu. Não faço ideia da frequência que vou conseguir fazer os posts, não sei exatamente qual o segmento do blog, mas aqui estou escrevendo, me expressando, ignorando a vergonha e o medo do julgamento.

Eu não vou dormir no tanque, ainda não cheguei nesse ponto, mas na zona de conforto eu também não consigo mais ficar.

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